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Mostra Literária 2014 - EFII   Clique para abrir as notas sobre este documento.   18/05/12
 

6° Ano


Vida Vivida, Vida Inventada

“Sempre pensei que a narrativa é a arte primordial dos seres humanos. Para ser, temos que nos narrar, e nessa conversa sobre nós mesmos há muitíssima conversa fiada: nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos. O que contamos hoje sobre a nossa infância não tem nada a ver com o que contaremos dentro de vinte anos. E o que você lembra da história comum familiar costuma ser completamente diferente daquilo que seus irmãos lembram. Às vezes troco algumas cenas do passado com a minha irmã Martina, como quem troca figurinhas: e o lar infantil desenhado por uma e pela outra quase não têm pontos em comum. Os pais dela se chamavam igualzinho aos meus e moravam numa rua com o mesmo nome, mas certamente eram outras pessoas.

De maneira que nós inventamos nossas lembranças, o que é o mesmo que dizer que inventamos a nós mesmos, porque nossa identidade reside na memória, no relato da nossa biografia. Portanto, poderíamos deduzir que os seres humanos são, acima de tudo, romancistas, autores de um romance único cuja escrita dura toda a existência e no qual assumimos o papel de protagonistas. (...)

Rosa Monteiro, A louca da casa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.


Aqui está o nosso livro Vida Vivida, Vida Inventada. Finalizá-lo é sempre uma conquista, resultado de meses de trabalho, idas e vindas de e-mails e correções, crises de imaginação, descobertas... Estar no sexto ano é também uma conquista e um marco na vida escolar de cada um desses alunos, significa a entrada para um novo universo no qual cada um fará a transição da infância para a adolescência. O projeto Vida vivida, vida inventada tem muito a ver com essa fase. Para sabermos para onde vamos, é legal saber de onde viemos.  Para construirmos nosso presente, precisamos saber de nosso passado. Ao escrever sobre a vida vivida, cada um tem que lidar com suas histórias e perceber que, aos onze anos, já há muito o quê contar, ou omitir, e mais do que tudo, selecionar. Os alunos pesquisaram, conversaram com pais e avós sobre o passado, reviraram as gavetas da memória para formular essa parte do trabalho: um texto memorialístico e histórico, e necessariamente real? Elegeram os temas que queriam abordar e cada um dos temas deu origem a um capítulo, buscando abandonar a narrativa cronológica, permitindo assim a construção de simultaneidades, que tantas vezes nos tornam atemporais. Viagens, festas, acidentes, escolas, casas... cada um foi se descobrindo, escutando histórias sobre si mesmo, e construindo assim, a sua própria história.

Acontece que somos também nossos sonhos, desejos, pesadelos. Somos as brincadeiras que brincamos, os faz de conta que vivemos, as histórias que amamos, os desenhos que assistimos, os livros que lemos. A vida vivida faz essa investigação também, e na vida inventada esse material se torna realidade. Cada um pôde então construir um universo paralelo que não precisa obedecer à lógica da construção historiográfica (ou da memória) mas somente à lógica da literatura. Ou seja, na vida inventada tudo era possível, desde que os protagonistas fossem eles próprios e as aventuras fossem também construídas a partir de experiências vividas.  E cada um escreveu sua vida inventada colocando ali seus sonhos, vontades, aproveitando o poder que o escritor de literatura tem para criar suas vidas de maneira sonhada.

O engraçado foi quando nós mesmos não sabíamos o que era vivido e o que era inventado!

Vivido, inventado, sonhado, acontecido, o bacana é que somos formados por histórias, fictícias e reais! Quais são as verdadeiras? Quais nos formam de fato? As duas, pois somos feitos da existência vivida, da existência criada, da existência sonhada.

Para o livro, cada um selecionou um capítulo da vida vivida e da vida sonhada. Além disso, para que as agruras, aventuras, sonhos e acontecimentos da vida de cada um não ficassem expostos demais, optamos por pedir que os nossos autores e autoras assinassem suas obras com um pseudônimo. A escolha do pseudônimo também fez parte da pesquisa sobre a identidade de cada um, e confere liberdade ao mesmo tempo que os preserva. Sem a condução e ajuda da Celina e da Luciana nada disso teria sido possível.

Esperamos que vocês tenham uma boa leitura, e possam se divertir e se emocionar com esse trabalho, da maneira como nós nos divertimos e nos emocionamos.

Luana é professora de Português, artista de circo, criadora de minhocas e vai ao Japão uma vez por semana para comer sushi e fazer mergulhos submarinos.

Mauricio é professor de História, participa de encontros internacionais de chute de tampinhas, buscando afinar-se nessa arte. Por conta desse trabalho, passa 5 meses por ano em sua pequena choupana aos pés do Kilimanjaro, com sua coleção de tampinhas especiais para chutes de longa distância.

Professores responsáveis: Luana e Mauricio

7° Ano


Radionovela: Os 12 trabalhos de Héracles

Ao longo desses meses os alunos do 7º ano tiveram a oportunidade de se dedicar à transposição de uma narrativa em roteiro de uma Radionovela. No curso de Leitura, elegeu-se como objeto o tema do herói. Para isso,  estudamos os mitos de Perseu e Héracleshttps://mail.google.com/mail/u/0/images/cleardot.gif visando a compreensão de quais são as características que os tornam heróis. As aulas de Teatro dedicaram-se à criação do roteiro e à gravação dos programas, instigando os alunos a exercitar a relação entre sonoridade e narrativa.

Clique aqui para escutar a Radionovela.

Professores responsáveis: Pedro Carvalho Santos e Paula Carrara


8° Ano


No que pensam as crianças

A receita de pudim de microondas em um sábado à tarde cheio de fome. A ansiedade do fogo que não acende para que os sanduíches grelhem. O amor pelo arroz e feijão, o arroz por baixo, o feijão por cima. O ódio aos legumes e às saladas. A defesa do churrasco, a defesa da salada. O incrível patê de azeitona em meio ao insosso desfile de salgadinhos convencionais.

A defesa da copa, a condenação da copa. Política, a distribuição dos poderes no mundo, o sensacionalismo dos sangrentos jornais vespertinos na tevê. O conservadorismo do sistema escolar. A maldade que toma conta do centro da cidade. O orelhão solitário e esquecido no meio da rua. O dinheiro perdido.  A casa solitária entre prédios. A noite barulhenta, que não deixa descansar.

A tarefa cotidiana, a vida cotidiana, os dias iguais e sempre diferentes, a luta contra si mesmo, a descoberta de quem se é. As tarefas de português, a obrigação de escrever, as loucuras do professor querido, a escola, as chatices da escola, as dificuldades da escola. Os sonhos, as histórias de criança, o medo de injeção, a conquista do machado. As pombas na rua.

A velha rabugenta.

Os gatos, os pais, as mães, as namoradas dos pais, os namorados das mães.  A amizade. O pum do amigo. Os desenhos animados de antigamente, como eram melhores. As brincadeiras com os amigos, os trocadilhos idiotas com amigos, as conversas com amigos. Como é bom ter amigos.

As mudanças. Mudança de casa, mudança de escola, mudança de cidade. A janela na frente do prédio, os espaços vazios da noite, o terreno abandonado. O mendigo na rua, o velho que nos olha, o prédio em construção, a gente em construção. Do canto de ninar ao Raul Seixas do churrasco em família. Das garotinhas na escola à saída de casa. 

No que pensam as crianças?

Sei que poucas vezes vi escritos tão sinceros e, por isso mesmo, tão legais. Sei que as coisas são como são, que não me venha pedir, Luana, para dar uma mensagem ou densidade maior ao que contei, o que contei era isso, desse tamanho, não tem como desenvolver mais. Ou venha ver, Luana, se essa imagem está boa, dá uma ideia, vê se assim ficou claro. Por que não posso escrever palavrões, por que não posso escrever textos curtos, por que sou obrigado a escrever? Não tenho do que falar, não sei, não quero, quis causar reflexão, quis que rissem, minha mãe falou que meu texto tem profundidade. Luana, você leu o texto que eu postei no blog, aquele ficou legal, escrevi mais três crônicas, aos poucos fui me soltando. Não revisei porque fico com preguiça. Eu gostei de escrever crônicas. Foi legal porque cada um encontrou o seu estilo. Encontrei minha crônica no banheiro. Na rua. Encontrei minha crônica na escada. Na lembrança.

E como foi legal conhecer e ver nascer esses novos cronistas modernos, e ler os blogues e dialogar sobre a escrita, a crônica, a revisão, o uso da crase, o registro do quase nada que é tudo.

E como é legal, sempre, acompanhar essas crianças juntando palha, crescendo, aprendendo e suando nos porquês para, um dia, construírem seus próprios ninhos.

P.S.: Acho que esse é o último ano em que ainda é possível chamá-los de crianças. Resolvi aproveitar.

Professora responsável: Luana Chnaiderman de Almeida


9° Ano


Carta ao Pai

Partindo do estudo do realismo fantástico e chegando ao surrealismo - trajeto que fizemos na companhia de Murilo Rubião, Gabriel García Márquez, Guimarães Rosa - chegamos nesta “quase carta” escrita coletivamente, com título roubado de Kafka.

O processo incluiu a leitura e discussão de “A Terceira Margem do Rio”, conto célebre de Guimarães Rosa. Em seguida, os alunos ouviram a música homônima de Caetano Veloso e Milton Nascimento e conversaram sobre a relação entre as duas obras. Inspirados por esse material, cada um escreveu uma “Carta ao Pai”, de modo livre e espontâneo, selecionando posteriormente um trecho. Por fim, em pequenos grupos, foram compostas cartas coletivas que mesclavam esses trechos, num claro procedimento surrealista, inspirado pelo realismo fantástico e pela sonoridade da música. Boa viagem!

Professor responsável: Pedro Carvalho Santos

 

Autor: Colégio Equipe
 
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